Pular para o conteúdo
CienciAberta Publique

Sobre

O que esta lista é, e o que ela não é

O CienciAberta é um projeto independente, sem ligação com a CAPES nem com as editoras. As listas vêm das fontes oficiais e cada uma tem a sua data, mas acordos mudam: para a informação mais atualizada, confira sempre a página dos acordos no Portal de Periódicos da CAPES e a página do acordo na editora.

O que entra na lista

Revistas dos sete acordos de leitura e publicação que a CAPES mantém com editoras internacionais. Neles, o autor correspondente vinculado a uma instituição participante publica em acesso aberto sem pagar a taxa de processamento de artigo, o chamado APC, que costuma passar de dois mil dólares.

As revistas de assinatura ficam fora por padrão. Nelas o acordo não cobre publicação aberta, que é o propósito desta página; um interruptor na busca traz as trinta e sete de volta.

A ausência de um título não prova exclusão. A lista reúne o que a CAPES e as editoras publicam. Não há acordo com todas as editoras, e nenhuma das listas é definitiva.

De onde vêm os dados

As listas de elegibilidade chegam em formatos que não conversam: planilha da Wiley, PDF da Springer, da IEEE e da ACM, e nada para baixar na Elsevier e na ACS. Cada uma exigiu um tratamento.

EditoraComo a lista chega
Springer NaturePDF oficial do Portal de Periódicos
Elseviernão publica lista; colhida do buscador oficial do acordo
Wileyplanilha oficial
IEEEPDF da própria IEEE, com métricas do JCR
ACSnão publica lista fechada: o acordo cobre todos os periódicos, e o conjunto vem do OpenAlex por editora
ACMPDF do Portal de Periódicos
Royal Societydez títulos nomeados no acordo

Sobre essa base entram as métricas do OpenAlex (h-index, citações, assuntos e a taxa que a revista cobraria) e o vocabulário que cada revista publica, extraído dos títulos dos artigos recentes pela Crossref. O quartil vem do SCImago Journal Rank (CC BY-NC), que publica abertamente o ranking derivado do Scopus. A taxa vem do OpenAlex, com uma exceção: as dez revistas da Royal Society usam a tabela que a própria editora publica, que é fonte primária e estava mais atual. O estrato Qualis vem da Plataforma Sucupira. O dicionário português-inglês que o casamento usa vem do MUSE (Meta AI Research, licença CC BY-NC 4.0), filtrado no pipeline aos pares cuja tradução existe no perfil de alguma revista.

As listas têm data. Antes de contar com a elegibilidade numa submissão, confirme na página do acordo se saiu versão mais recente. A data de cada lista aparece no rodapé da busca.

A elegibilidade depende da instituição

Não existe uma lista de instituições participantes: existem sete, uma por acordo, e elas não coincidem. A mestre do Portal de Periódicos tem 452 instituições; a da Springer, 435; a da ACM, 207. Por isso a busca permite filtrar pela sua instituição e mostrar só as revistas dos acordos em que ela entra.

Elsevier e Wiley não publicam lista de instituições. As revistas dessas duas continuam aparecendo mesmo com o filtro ligado: escondê-las seria afirmar uma exclusão que ninguém consegue verificar, e sumir com mais da metade do acervo por conta de um dado que não existe. Para essas duas, confirme na página do acordo.

Como o casamento funciona

O índice de compatibilidade mede uma coisa só: quanto do vocabulário característico da revista aparece no seu texto. Os termos são ponderados por raridade, de modo que "bibliometrics" pesa muito e "study" quase nada.

O perfil de cada revista não vem de um rótulo de área: vem das palavras que ela de fato publica, extraídas dos sessenta títulos mais recentes. Foi essa mudança que fez um resumo sobre eletroencefalografia deixar de encontrar revistas de linguística. O texto dizia "corpus" no sentido de conjunto de artigos, e essa era a única palavra rara que casava.

Fator de impacto, h-index e Qualis não entram no índice. Eles medem ambição, não encaixe, e misturá-los produziria um número sem significado. Ficam em colunas ao lado, para você pesar por conta.

A medida corre do perfil da revista para o texto, e não o contrário: o manuscrito tem milhares de palavras e o perfil tem algumas dezenas, e medir na outra direção faria revistas de escopo largo vencerem sempre.

Texto em português é entendido por tradução termo a termo: primeiro um dicionário de 13 mil pares (saúde → health), depois regras de sufixo e prefixo (vacinação → vaccination), e quem valida cada candidato é o próprio índice, então erro sai barato. Medido sobre 84 resumos reais em português, o índice reconhece cerca de 69% dos termos de conteúdo, contra 9% sem a camada; em inglês, o teto do método é 77%.

Em documento longo, só pesa termo que se repete. Um PDF de quatro páginas traz afiliações, financiador e bibliografia, e uma palavra citada uma vez não pode valer o mesmo que o assunto dito vinte vezes. Num resumo colado nada muda: o filtro só liga em texto com 150 ou mais termos distintos.

Sobre o quartil

É o quartil SJR, do Scopus, e não o do JCR. São bases diferentes (Scopus contra Web of Science), com categorias e indicadores diferentes, e elas discordam com frequência: medido sobre as 200 revistas em que temos as duas, coincidem exatamente em 49% dos casos e ficam a menos de um quartil de distância em 92%. O SJR é o mais generoso dos dois, e promove a Q1 boa parte do que o JCR chama de Q2. Nenhum dos dois está errado; eles medem coisas parecidas em universos diferentes.

Ele cobre 96% do catálogo. Antes de agosto de 2026 o campo existia em 4% das revistas, porque vinha embutido só na lista da IEEE, a única das sete editoras que publica métrica junto.

Calcular um quartil por conta foi tentado e descartado. Ranquear as revistas por citação dentro de cada subcampo acertava 44% contra as mesmas 200, e errava sempre para o mesmo lado. A razão é que 44% do acervo é Q1 no JCR, contra os 25% que uma amostra do mundo daria: as revistas dos acordos já são as boas, e um quartil calculado dentro delas mede posição entre pares de elite, não no universo.

Sobre o Qualis

O estrato mostrado é o do quadriênio 2021-2024, a última edição: a CAPES anunciou que o Qualis não será usado como instrumento de avaliação no ciclo 2025-2028.

Uma nota só, e não uma por área. Até o quadriênio 2013-2016 cada área de avaliação dava o seu estrato, e a mesma revista podia ser A1 numa e B2 noutra. No Qualis Referência a CAPES passou a calcular um estrato único, pela área que mais publica na revista, e ele vale igual para todas. Conferido na planilha inteira: 33.347 revistas, 50 áreas de avaliação, e nenhuma revista com dois estratos. Por isso a página mostra um número só, e não um por área.

Quais áreas avaliaram, isso sim varia muito. A ficha de cada revista lista as áreas que a classificaram, e a busca deixa filtrar por elas. A mediana do acervo é de 5 áreas: a Science of the Total Environment foi avaliada por 42, e os periódicos da ACM por uma só, Computação. São dois A muito diferentes, e até agora a página mostrava os dois com o mesmo selo. Se a sua área não aparece na lista, nenhum programa dela publicou naquela revista no quadriênio. Esse é o fato; o que ele significa para a sua avaliação é leitura da regra da CAPES, e não do dado.

Revista sem estrato não é revista pior. A CAPES só classifica periódico em que algum programa de pós-graduação brasileiro publicou no quadriênio, e por isso a cobertura vai de mais de 90% na Elsevier e na ACS a cerca de 35% na Springer. A lacuna é do alcance da avaliação, não da qualidade da revista.

Práticas editoriais e a taxa

A ficha de cada revista mostra quanto ela cobraria para publicar em acesso aberto fora do acordo. A mediana do acervo é de US$ 3.490, e é essa a quantia que o acordo dispensa. Onde o valor não aparece, é porque o OpenAlex não o conhece, e não porque a revista seja gratuita.

A ficha mostra também o que a revista deposita: a fração dos artigos recentes que traz licença declarada, ORCID dos autores, referências abertas, financiador e checagem de similaridade. Os números vêm da Crossref e cobrem todas as revistas do acervo.

Isso não é nota de qualidade. São práticas de depósito de metadados, cada uma com um significado próprio, e somá-las num índice único produziria exatamente o tipo de número sem sentido que esta página evita. O ORCID é o mais prático: o acordo da Elsevier exige ORCID vinculado ao perfil CAPES, então saber se a revista o deposita importa antes de submeter.

O gráfico de artigos por ano mostra o volume que a revista publica. Não há gráfico de citações recebidas, embora o dado exista: artigo recente ainda não teve tempo de ser citado, e a curva cairia sempre nos últimos anos por construção, sugerindo um declínio que não aconteceu.

O que esta página não faz

Sobreposição de vocabulário acerta o óbvio e erra o sutil. Um artigo de bibliometria encontra a Scientometrics; um artigo de método aplicado à saúde pode ranquear revistas de saúde acima das de método. É gerador de lista curta para investigar, e não resposta.

A leitura do PDF usa apenas as quatro primeiras páginas, onde estão título, resumo e introdução. Ler o artigo inteiro traz referências e metodologia, que puxam o casamento para o vocabulário genérico de método.

PDF digitalizado como imagem não funciona, porque não há texto a extrair. Nesse caso, cole o título e o resumo no campo de texto.

O índice não prevê aceitação. Ele não sabe nada sobre a qualidade do seu trabalho, sobre a fila da revista nem sobre o que os editores procuram neste momento.

Privacidade

O manuscrito é lido no seu navegador e não sai dele. A leitura do PDF e todo o cálculo acontecem na sua máquina. É por isso que o conjunto de revistas vem embutido na página em vez de ser consultado por API: uma consulta remota obrigaria a mandar os termos do seu texto para fora.

A página não carrega nada de outro domínio, nem fonte, nem biblioteca, nem imagem, e não usa rastreador de terceiro. A política de segurança do site (Content-Security-Policy) bloqueia qualquer requisição a terceiros, qualquer envio de formulário e qualquer script que não venha daqui. Se um dia alguém colar um rastreador nesta página, ele simplesmente não roda.

O que contamos, e o que não. Para saber se este site serve para alguma coisa, ele registra que uma busca aconteceu e quantas revistas ela encontrou, inclusive quando não encontrou nenhuma. Viaja o nome do evento e um número inteiro, e mais nada: nunca o seu texto, nunca um pedaço dele, nunca o nome do arquivo do PDF, nunca qual revista você abriu. Não há cookie, sessão nem identificador, então duas visitas suas são indistinguíveis e este site não sabe, nem tem como saber, que você voltou.

Esse registro vai para o nosso próprio servidor, e não para um serviço de análise. Quem garante isso é a mesma Content-Security-Policy: ela autoriza envio para esta origem e proíbe todas as outras, de modo que nem um erro de programação nosso conseguiria mandar o seu texto para fora. Os dois arquivos envolvidos são curtos para poderem ser lidos por quem duvidar: medir.js, que decide o que sai daqui, e worker.js, que recebe e recusa qualquer coisa fora da lista.

Isso importa porque o uso previsto é com manuscritos ainda não publicados.

Quando a coluna está vazia

Célula vazia nesta lista quase nunca significa "a revista não tem": significa que ninguém publicou o dado num formato que dê para conferir. As sete editoras publicam a lista do acordo em formatos diferentes e com campos diferentes, e o que preenche o resto vem de fontes abertas, cada uma com a sua cobertura.

Dois exemplos que ilustram a diferença. O fator de impacto aparece em 29% das revistas porque só a IEEE e a Wiley publicam métrica junto da lista; as outras cinco não, e isso não diz nada sobre as revistas delas. Já a taxa das 72 revistas da ACM está vazia porque a ACM realmente não cobra taxa por artigo: o acordo dela é institucional, com preço por faixa de instituição. Ali o vazio é o fato.

Quem fez

Felipe Correa Bitencourt

felipe.bitencourt@ufcspa.edu.br

Eduarda Tessari Pereira

eduarda.tpereira@inf.ufrgs.br

Projeto independente, sem vínculo com a CAPES nem com as editoras. Encontrou um erro nos dados, ou uma revista que deveria estar aqui? Escreva: é assim que a lista melhora.